segunda-feira, 4 de maio de 2009

escrevendo afinal...


"De repente, todo mundo virou filósofo"
Larah Teles


Hoje eu e mais duas amigas estávamos conversando sobre a popularização dos blogs, pois percebemos que hoje em dia, que todo mundo quer ter um blog, ou todo mundo quer escrever.
Acho que a vontade de escrever deve partir de uma vontade natural do ser, e que não seja algo forçado simplesmente para alimentar o seu ego, ou fazer o uso disso pra se aparecer, ou ser superior a alguém... É como Clarice Lispector um dia disse:

"Escrevo como escrevo sem saber como e por quê - é por fatalidade de voz. O meu timbre sou eu. Escrever é uma indagação. É assim: ?"

Escrever deve vir do instinto, deve ser como uma flor que desabrocha, porém sem tempo determinado. Escrever deve ser realmente como uma flor, quando a mente se abre, as pétalas se abrem, e quando a mente se fecha, a rosa murcha... Entretanto, escrever bem não depende de nós, escrever bem é um dom. Ou se nasce assim, ou não nasce.
Assisti esses dias a entrevista com Clarice Lispector, feita pela TV Cultura e percebi como havia criado um rótulo sobre ela. Até então, só tinha lido o que ela escrevia, e jamais prestado atenção no quesito Clarice como pessoa, me restringia a ver Clarice como A Máquina Que Escrevia. Ela, que me parecia tão certa de si, tão segura ao se utilizar das palavras, agora já não me parece ter a mesma imagem de antes...Passei a vê-la como um ser humano, cheia de fraquezas, defeitos, e que também como qualquer um de nós, passava por momentos opressivos...
Pude perceber que ao escrever, mudamos o rumo das coisas... Nosso caráter transforma-se no que escrevemos. Se utilizamos palavras dóceis, somos delicados...Se utilizamos palavras ferinas, somos rudes...Se falamos a verdade, não prestamos. Escrever é na verdade um jogo ilusório, no qual muitas vezes enganamos a nós mesmos. O que no início escrevíamos sem intenção, passa a nos dominar. A palavra, em si, domina o homem. E até aquele que não pode ouvir, ou falar, toma conhecimento acerca da palavra. A palavra é visual, é fotográfica, é manuscrita. Palavra é uma alma. E o escritor é o corpo: reúne alma e matéria.

Portanto, só lhes digo que não escrevam em vão. Nada melhor do que o desejo que vem do fundo da alma: se viver ultrapassa qualquer entendimento, escrever também...

2 comentários:

carol p. disse...

o melhor texto seu que já li até hoje, que me lembre, rs :)
gostei demais, ainda falou de Clarice *--------*

PoLLyzinhááá disse...

Se falamos a verdade, não prestamos. [/ gostei dessa parte (;

bjs putiinha ;*