quarta-feira, 21 de julho de 2010

"Só se aprende a escrever, escrevendo".

Os dias têm andado estranhos. Ou eu tenho andado estranha. O estímulo pra escrever tem fugido constantemente, e isso é engraçado. Hoje eu (suponho que) tenho mais maturidade, mais conhecimento, mais informação. E é engraçado como quando eu era "ignorante", eu era criativa. Imaginava. Fantasiava. Havia concluído precocemente que o conhecimento nos tira a alma. A minha dificuldade em transcender além do material e palpável tem sido constante! As informações têm me deixado seca, e descrente de coisas que só hoje eu sei o quanto significavam para mim - a descrença nas pessoas, em seus atos, e até em certas amizades.
Tudo isso remete-me às aulas de literatura... Certa feita, o professor disse-nos que gostaria de ter fé, e de acreditar em Deus, na providência divina, veementemente - como aqueles que atribuem a Deus e às suas vontades as secas, as enchentes, e outros fenômenos "naturais" e "entregam tudo na mão de Deus". É realmente mais uma prova de que é difícil separar fé e conhecimento, sem haver detrimento de um em razão do outro. Mas a também professora, dessa vez de biologia, disse-nos que, para ela, o conhecimento não arrancou-lhe a fé - pelo contrário, percebeu que vivemos numa esfera muito maior, e até a própria evolução dos seres é um fenômeno tão perfeito que é difícil deixar de acreditar em alguma força que desconheçamos.
Contudo, mesmo tendo fé, conhecimento (por mais ínfimo que seja), a criatividade tem fugido de mim, ou seria eu fugindo dela? O conhecimento não deve tirar a criatividade de ninguém, e nem a fé deve podar as nossas defesas racionais. Se não há criatividade, há falta de imaginação, e para mim, imaginação é esperança. E quando se perde as esperanças, ao contrário de muitos, julgo que aí que devemos procurá-la nem que seja num fim de um túnel mais longe, ou até no mais próximo (que a nossa visão unilateral não permite enxergar).
E acho que hoje achei parte das esperanças de voltar a "escrever" - é que o mesmo professor, aquele de literatura, disse-me que "só se aprende a escrever, escrevendo". E graças ao comentário, cheguei ao veredito final de que esperança é boa sim, mas tê-la não significa adotar o seu radical nominal e passar o tempo esperando, a fim de que alguma criatividade, ou alguma mudança de vida, caia do céu. Mais do que ter esperança, é preciso seguir em frente. E se for preciso aprender a escrever, que eu aprenda escrevendo.
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Oração não voga quando não há vaga
Coração não roga quando só há raiva
E a roupa do corpo três vezes ao dia
Novena não paga ao homem da venda
Não adianta nada, não enche barriga
Subir de joelhos as escadarias
[...]
Jessé - Paraíso das Hienas

2 comentários:

Tiago Almeida disse...

belo texto, você é uma, antipática ,inspiração para mim. [/naodisseisso

Jaíne Mascarenhas disse...

Belo texto mesmo!
Galera vou deixar o link do meu blog aqui,façam uma visitinha;
http://jaymascarenhas.blogspot.com/

beijos!